sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A chuva no meu sertão

Esta é uma poesia de um aluno do 1º ano de Eletrotécnica, disse que iria postar aqui e aí está



A chuva no meu sertão

O sol é muito quente
Ao meio dia é de rachar
A cada dia esquenta mais
Parece que nunca há de esfriar

Não existe mais plantação
Nem um grão veio a brotar
Morrendo assim animais
A água estando a acabar

Gente passando sede
Doendo alma e coração
Pedindo água todos os dias
Para melhorar o sertão

A seca gera mais pobreza
Morte e destruição
Sofrimento e a fome

De gente desse mundão

Wesley Leal

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Cultura de massa

Estava lendo um texto e me deparei com uma discussão muito feliz sobe a cultura de massa, gostaria de compartilhá-la com vocês...


Com seus produtos, a indústria cultural busca reforço das normas sociais, repetidas até a exaustão e sem discussão. Em consequência, tem uma outra função: a de promover o conformismo, a alienação. Ela fabrica seus produtos, cuja finalidade é a de serem trocados por moeda; promove a deturpação e a degradação do gosto popular; simplifica ao máximo seus produtos, para obter uma atitude sempre passiva do consumidor; assume uma atitude paternalista, dirigindo o consumidor ao invés de colocar-se a sua disposição.

A cultura de massa da globalização é padronizada, monofônica, homogênea e pausterizada, a ponto de alguns estudiosos da globalização falarem de Mundo Mc, de “mcdonaldização” da cultura, tendo como centro dominante e irradiador o ocidente, branco, masculino, heterossexual, norte-americano: cultura da rapidez, da instantaneidade. 


Roxane Rojo (2009)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Encontro em Vinícius de Moraes

Essa postagem surge como uma homenagem e rememoração do SaliPicos... Lá, dentre tantos momentos idílicos, pude mediar uma palestra/aula do meu eterno Professor Luiz Romero sobre Vinícius de Moraes.



O poeta

Rio de Janeiro

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

Ele é o etemo errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.

A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.
Quer ler mais de Vinícius? Então visite o site http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=16

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Texto de Fabrício Carpinejar

Eu sou o melhor no que faço, mas o que eu faço não é nada bonito.

Meu pai me chama de Wolverine. É o nosso apelido secreto.

Não tenho o queixo quadrado e a baixa estatura do desenho da Marvel Comics. Muito menos a suíça e o cabelo alvoroçado do ator Hugh Jackman, que interpreta o herói no cinema. A referência física não contribui para nossas semelhanças.

Ele me compara ao personagem pelo meu alto poder de cicatrização. Eu me desespero e logo ressuscito, eu caio e logo levanto.

Não morro de uma única vez. Não desisto. Não me entrego mesmo que não veja a saída. Quando não há porta, eu espero no escuro até ser a porta.

A ansiedade que me enerva acaba por aumentar minha vontade de ver de novo a luz.

Tenho fúria de viver.

Não há perda que seja total. Alguém pode me machucar terrivelmente, mas não me leva. Posso permanecer sequelado, mas sei cavar a terra por dentro da terra. Penso nos filhos, penso nos amigos, penso na literatura e sigo adiante. Cambalear ainda é caminhar. A chuva lava minha ferida e o vento seca.

A carne da memória se recompõe de algum jeito. Talvez seja um excesso de sofrimento na infância que me preparou para o pior no futuro.

Eu sobrevivi a tanta coisa.

Sobrevivi ao bullying na escola, ao pessoal me chamando de ET e monstro todo dia durante o ensino fundamental.

Sobrevivi à resistência dos médicos que juravam que tinha algum retardo mental.

Sobrevivi à desistência dos professores com meu desempenho.

Sobrevivi à traição de amigos.

Sobrevivi às drogas para ser aceito na roda dos adultos.

Sobrevivi à briga de rua.

Sobrevivi a uma tentativa de suicídio na adolescência.

Sobrevivi a enterros de jovens amigos.

Sobrevivi a três acidentes de carro.

Sobrevivi a três separações.

Sobrevivi ao vício do cigarro.

Sobrevivi a dois assaltos a mão armada.

Sobrevivi a várias demissões.

Sobrevivi ao distanciamento de meus dois irmãos amados.

Sobrevivi, vou sobreviver, mesmo que não acredite na hora.

Só não entendia onde meu pai enxergava as garras retráteis de Logan.

– E as garras das mãos, pai?

– São as palavras, meu filho. Você se defende com a linguagem ou se agarra nela para não morrer.