terça-feira, 11 de novembro de 2014


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

EDUARDO ALVES DA COSTA
Niterói, RJ, 1936

Nota: Poema publicado no livro 'Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século', organizado por José Nêumanne Pinto, pag. 218.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Capitalismo - Uma História de Amor PT-BR Completo





O vídeo é meio assustador, não que ele tenha cenas fortes. Mas impressionam muito os arranjos para manter esse sistema econômico que temos, como também as muitas verdades em que acreditamos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Tirinha para olhar no espelho

Olá personas!

Há tempos não posto nada aqui ein? 
Aí segue uma tirinha de Calvin e Haroldo, quadrinho que adoro, cujo autor é Bill Watterson. 
Se vocês quiserem curtir mais, visitem http://depositodocalvin.blogspot.com.br/.


Até mais!

sábado, 19 de julho de 2014

Olá meninos e meninas!

Nossa faz tempo que não coloco nenhuma postagem aqui, o tempo é algo que buscamos sempre, sem conseguir obtê-lo da forma como desejamos. Mas, vamos lá...

Acabei de deparar-me com um site muito bom sobre Literatura Portuguesa e como essa literatura nos influencia muito, pode ser de grande ajuda para nossos estudos nessa área.

Além disso o endereço oferece vários livros para baixar, recomendo especialmente os de Alberto Caeiro( Deuteronômio) de Fernando Pessoa e o livro de Florbela Spanca.



Divirtam-se, eu já baixei o primeiro.